Agrobee, a startup conhecida como “uber das abelhas”

Notícias 29 janeiro 2021

A Agrobee é uma startup, mantida por quatro sócios, que conecta produtores rurais que precisam polinizar suas plantações e apicultores, por meio de um aplicativo.

Conhecido como “uber das abelhas”, o app tem como principal objetivo proteger as abelhas e benefi ciar a produção agrícola sustentável.

O BioJournal conversou com os idealizadores da Agrobee, que têm um trabalho com muita sinergia com os propósitos da Koppert, de produzir alimentos saudáveis e em harmonia com o meio ambiente, trazendo rentabilidade aos agricultores.

Guilherme Sousa é engenheiro de computação formado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com mais de 10 anos de experiência em projetos de tecnologia, graduou-se no programa de aceleração de empreendedores Founder Institute e fundou a AgroBee junto com Andresa e Carlos.

Andresa Aparecida Berretta, é farmacêuticabioquímica, formada pela Faculdade de Ciências  Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP/USP), onde além da graduação, fez seu mestrado, doutorado e pós-doutorado com produtos apícolas. Atua como farmacêutica responsável e gerente de P&D na empresa Apis Flora há 20 anos e é presidente da Abemel (Associação Brasileira de Entrepostos e Exportadores de Mel), assim como membro do Comitê de Produtos apícolas da ABNT (CEE-089).

Carlos Rehder é economista e sócio da empresa Novo Mel há 17 anos. Foi presidente da Abemel e da Câmara Agrobee, a startup conhecida como “uber das abelhas” Setorial da Apicultura da Secretaria de Agricultura do Estado de SP.

Daniel Malusá Gonçalves juntou-se posteriormente aos sócios fundadores. É formado em Administração de Empresas pela EAESP/FGV e sócio proprietário da 6P Marketing & Propaganda. É vice-presidente da APP Ribeirão, membro da diretoria da REDE SP - Rede de Agências de Publicidade Independentes de SP, e vice-presidente da ONG “Bee or not to be”, de educação e preservação do meio ambiente.

BioJournal - Como funciona o trabalho da AgroBee?

Agrobee - A AgroBee tem o papel de criar a cultura de polinização para a promoção do agronegócio sustentável. Conectamos as partes interessadas nesse processo, ou seja, produtor rural, que tem as flores para serem polinizadas, e criadores de abelhas, que têm as abelhas para o serviço ecossistêmico (“Uber das Abelhas”) e faz isso por meio de contratos que são celebrados pela startup com o produtor rural e os criadores de abelhas. A AgroBee é responsável por pagar os serviços de aluguel das colônias dos criadores de abelhas, bem como o ressarcimento das colônias em casos específi cos de sinistro.

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É também responsabilidade da AgroBee levar ao conhecimento dos produtores rurais todas as informações referentes ao serviço de polinização AgroBee, avaliar a área de plantio em questão, para definir as espécies e quantidades de colônias que serão inseridas na propriedade, bem como os locais onde as mesmas serão instaladas (essa etapa pode ser realizada de forma presencial ou automatizada pelo app); informar ao produtor sobre os cuidados que precisam ser tomados na pré-fl orada e na presença das colônias de abelhas em sua propriedade, bem como realizar o acompanhamento nas áreas onde haverá a avaliação dos parâmetros do processo.

Ainda, é nosso papel instruir o criador de abelhas em como preparar as colmeias para que elas estejam fortes e preparadas para o serviço de polinização, nos cuidados que precisarão ser tomados com o transporte das abelhas até área a ser polinizada; realizar auditoria nas colônias de abelhas a fi m de verifi car a qualidade dessas caixas e também, acompanhar a inserção das colônias de abelhas nas lavouras (todas essas atividades de forma presencial ou pelo app).

BioJournal - Como surgiu a ideia da startup?

Agrobee - O processo de polinização sempre foi algo defendido pelo sócio Carlos Rehder na Abemel (Associação Brasileira dos Entrepostos e Exportadores de Mel e derivados). A sócia Andresa já atuava com o Carlos nessa associação, em prol do setor apícola, pois trabalha com produtos das abelhas há cerca de 20 anos. A Andresa conheceu o sócio Guilherme Sousa em 2015, que é da área de TI, quando ambos foram selecionados pela FAPESP em parceria com a Royal Academy of Engineering (Programa LIF da Newton Founding) para um treinamento de inovação em Londres e Oxford. Em 2016, Andresa chamou Guilherme e Carlos para  conversarem sobre uma proposta de projeto de trabalho para a promoção do serviço de polinização. Após várias conversas e brainstorming, chegou-se a uma plataforma para a conexão entre as duas partes-chave no processo:

produtor rural e criadores de abelhas. Dá união dos três fundadores, surgiu a proposta da AgroBee, o “Uber das Abelhas”, como fi cou conhecido o app.

BioJournal - Como está sendo a trajetória até aqui?

Agrobee - A trajetória está sendo muito interessante e de grande aprendizado. A AgroBee está num processo de escalonamento muito impactante na cultura do café, e está explorando agora em seu roadmap de produtos em outras culturas para seguir com o mesmo processo, como soja, girassol, abacate e morango. Foram necessários vários ajustes ao longo do caminho, tanto nas etapas de campo como no desenvolvimento da plataforma propriamente dita, como nas ferramentas de automação e experiência do usuário do app, quanto no dia a dia de campo, como melhorias nos contratos, protocolos de cuidados e plano de ação em casos de acidentes com defensivos.

A experiência tem sido muito empolgante e gratificante. Cada vez mais estamos convictos de que o nosso propósito de promover o agro sustentável, por meio de um ganha-ganha para todos os envolvidos (produtores, criadores de abelhas, meio ambiente e abelhas) é um caminho de futuro.

BioJournal - Quais as expectativas para os próximos anos?

Agrobee - As expectativas para os próximos anos são altas. Estamos entre as 10 agtechs que estão participando de um processo de aceleração do Facebook em parceria com a Baita Aceleradora, no Programa Campo Digital. Considerando o crescimento que estamos obtendo até aqui, o aporte recentemente obtido da AgroVen e esse processo de aceleração, creditamos que vamos expandir em 10 vezes os hectares polinizados, e vamos ajudar no processo de profissionalização da cadeia apícola. As ferramentas de automação do nosso app estão a todo o vapor, e almejamos um calendário de polinização muito audacioso para os próximos anos, visando uma importante estabilidade de renda para os criadores de abelhas, um aumento expressivo da produtividade, com ganhos mútuos para todos, e também a preservação das abelhas.

BioJournal - Qual o maior propósito?

Agrobee - O maior propósito da AgroBee é promover o aumento da produtividade e da qualidade dos alimentos, de forma sustentável, por meio dos serviços de polinização das abelhas. A startup se orgulha de promover com seu modelo de negócios, benefícios para todos os envolvidos, incluindo o meio ambiente, e contribuindo para nosso país cumprir as metas assumidas no Acordo de Paris, como a redução das emissões de gás carbônico, redução do consumo de água, fertilizantes nitrogenados e redução do uso indevido dos defensivos. A AgroBee trabalha para promover um bom diálogo entre as partes envolvidas, para o bem comum.

Ao mostrarmos os benefícios das abelhas para os produtores, o quanto elas são importantes para a segurança alimentar e para a maior produção e maior qualidade dos alimentos, não faz mais sentido as práticas antigas de uso indiscriminado de defensivos, que são os grandes causadores da alta mortandade de abelhas.

Agregamos a esses valores à tecnologia 4.0, trazendo com o Guilherme a automação e a plataforma que servirá como base para o escalonamento da nossa proposta.

BioJournal - Como é a relação com o controle biológico?

Agrobee - A proposta de trabalho da AgroBee tem tudo a ver com a utilização de controle biológico. Não é um requisito para nosso negócio que os produtores sejam do cultivo orgânico ou manejo integrado, mas sem sombra de dúvidas, esse cenário está muito ligado à fi losofi a da AgroBee. A sustentabilidade é fruto do retorno do uso de recursos naturais. É bem verdade que ainda não existem soluções para todas as pragas e problemas que o produtor se depara no campo, mas é possível a promoção do uso racional de produtos. E, sempre que possível, a opção pelo controle biológico deveria ser a preferência de todos os agricultores.

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