A agricultura digital e a bio-tecnologia se complementam na adoção de práticas mais sustentáveis e rentáveis pelos produtores

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A agricultura digital e a bio-tecnologia se complementam na adoção de práticas mais sustentáveis e rentáveis pelos produtores

08 julho 2020

A administradora Mariana Vasconcelos, CEO e uma das fundadoras da Agrosmart, plataforma de agricultura digital, é referência no Brasil e no mundo quando se fala em empreendedorismo e agronegócio aos 28 anos. Já foi destaque do Under 30 Brasil, lista anual da Revista Forbes que destaca empreendedores, criadores e game changers abaixo dos 30 anos, que revolucionam os negócios e transformam o mundo em diversas áreas de atuação, entrou na lista “Os 100 profissionais mais criativos do mundo”, feita anualmente pela revista americana Fast Company e das “100 personalidades mais influentes do agronegócio”, da Revisa Dinheiro Rural, entre outras.

A agtech é uma das primeiras do mundo a produzir economias de até 60% de água e 20% de energia A agricultura digital e a bio-tecnologia se complementam na adoção de práticas mais sustentáveis e rentáveis pelos produtores nas propriedades rurais e é reconhecida pelo Fórum Econômico Mundial como uma das 50 empresas mais inovadoras do mundo.

Filha de produtores rurais, Mariana criou a empresa em 2012, que tem previsão de faturar R$ 300 milhões em 2024.

 

BioJournal - Como surgiu a Agrosmart e como está o posicionamento da empresa hoje?

Mariana - A Agrosmart é uma plataforma de agricultura digital líder na América Latina, que oferece informações que auxiliam produtores rurais a tomarem melhores decisões na irrigação, manejo de pragas e doenças, plantio e colheita, aumentando eficiência da produção. A empresa monitora lavouras, integra diferentes fontes de dados e gera modelos agronômicos e climáticos, com base nas condições de solo, microclima e genética. Da agroindústria a empresas de alimentos e bebidas, a Agrosmart transforma dados em inteligência, tornando a agricultura mais produtiva, sustentável, transparente e resiliente ao clima.

 

BioJournal - Quais os planos de crescimento?

Mariana - A Agrosmart tem focado na expansão do nosso time na América Latina para se consolidar como plataforma líder em agricultura digital na América Latina e o próximo passo é a expansão para a África e Sudoeste da Ásia, atendendo as demandas por maior produção de alimentos para garantir a segurança alimentar em 2050, bem como as expectativas do consumidor por alimentos produzidos de maneira sustentável.

 

BioJournal - Como você avalia a adoção da agricultura de precisão e digital para resultar numa agricultura mais sustentável?

Mariana - O produtor brasileiro sempre buscou a tecnologia, porque somos uma das únicas nações de agricultura tropical no mundo. Nunca fomos eficientes só importando tecnologia, tivemos que criar as nossas. Nossa agricultura vem se revolucionando desde a década de 1970 com a revolução verde, a biotecnologia e a agricultura de precisão. Ainda assim, o número de usuários é baixo, porque tínhamos diversas barreiras para limitar esse uso como a falta de conectividade, a infraestrutura, o acesso a crédito e a informação, mas isso tem crescido drasticamente com a agricultura digital, por ser uma tecnologia mais barata que a agricultura de precisão.

A busca por parte do produtor tem crescido muito e eu entendo que principalmente neste momento de crise, de coronavírus, está sendo acelerada.

Essas tecnologias vieram para endereçar esses desafios de produzir mais até 2050, de lidar com mudanças climáticas, escassez de água e agora está crescendo cada vez mais, também porque a indústria já precisa entregar valor para o consumidor final, na ponta.

 

BioJournal - Como a tecnologia contribui para uma agricultura mais moderna, rentável e sustentável?

Mariana - Ajuda o produtor a entender o que está acontecendo no campo. Como a planta está reagindo, como está o clima, o solo e quando passa a entender localmente o que se passa em cada talhão, consegue responder de maneira adequada. Quando o produtor responde de forma mais precisa à demanda de cada talhão, ele economiza, tornando a operação mais rentável porque usa os insumos somente quando necessário, com redução de custos. Quando entrega para a planta o que ela precisa, ela tem mais vigor, é mais produtiva e mais sustentável, consequentemente, porque está usando os recursos naturais da melhor maneira e esse equilíbrio das necessidades também gera mais sustentabilidade financeira para a operação.

 

BioJournal - As novas tecnologias no agronegócio ainda têm muito para avançar? Em qual direção?

Mariana - Sim, bastante. As tecnologias estão mudando muito rápido. Ano a ano a gente vê uma tecnologia que se usava ficar obsoleta, já chega alguma coisa nova. Existe a base tecnológica de sensor, de imagem, de satélite que é a mesma tem muito tempo e estamos numa jornada de aprender a utilizá-las, mas cada vez mais vão surgir novas tecnologias. A direção que o agro está indo é a de extrair mais valor daquela tecnologia que já está ali.

Tem uma infinidade de modelos agronômicos que eu posso extrair de um mesmo dado. Está tendo uma transformação da usabilidade para fazer a tecnologia mais disponível e fácil de ser acessada pelo produtor. E também existe uma convergência para as integrações, o produtor já está tendo acesso a diversas tecnologias, eu entendo o mercado como uma jornada de transformação digital. Primeiro passo é ter o dado, depois transforma esse dado em informação útil para trazer retorno de investimento e o terceiro passo é a convergência. Eu tenho várias tecnologias me trazendo valor e funcionando ao mesmo tempo, eu tenho que juntá-las para que não tenhamos recomendações contraditórias e para que o produtor possa usar todas na mesma interface.

 

BioJournal - Você considera a biotecnologia importante nesse cenário? Por quê?

Mariana - A biotecnologia é de extrema importância. Já começou faz tempo com sementes melhores e insumos biológicos, e é uma tendência que tudo que tem a ver com o uso mais sustentável dos recursos e a adaptação tem muito o que crescer. Quando a gente olha a convergência da tecnologia digital com a biotecnologia, elas se complementam. Eu consigo extrair dados de campo para entender qual a real necessidade de nutrientes, a condição de clima e eu posso utilizar a biotecnologia para criar produtos que vão se adequar a esses cenários. A informação direciona quando se olha o desenvolvimento genético e os produtos biológicos, que tipo de produto eu tenho que ter e como ele vai performar. Serve tanto para conduzir a pesquisa e desenvolvimento desses produtos quanto para depois, no momento de utilizar em campo, direcionar o uso para ter a maior eficiência e sustentabilidade possível dos produtos.

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