Categoria: Notícias
Data de publicação: dezembro 21, 2021

Entrevista Elizana Baldissera Paranhos

Entrevista Elizana Baldissera Paranhos 

Elizana Baldissera Paranhos, é produtora rural, engenheira agrônoma formada pela Unesp/Botucatu, com mestrado pela Universidade de Tecnologia e Agricultura de Tóquio e MBA em Agronegócios pela Esalq/USP. É casada com o colega de turma na universidade e também produtor rural, Fernando Antônio Paranhos, com quem divide os cuidados com a fazenda e com os quatro filhos do casal. Elizana é membro do Comitê Estratégico Soja Brasil, no qual consegue seguidos destaques de produtividade de sua fazenda, está na lista da Forbes entre as 100 mulheres mais influentes do agronegócio brasileiro e é Idealizadora do projeto Ninho, que desenvolve hortas nas escolas de Capão Bonito (SP), município onde está localizada sua propriedade.  

BioJournal – Como escolheu sua profissão?  

Elizana - A minha influência é de ser filha de produtor rural. Eu costumo dizer que eu cresci na barra da calça do meu pai porque ele sempre me levou para o sítio desde pequena. Na época, nós ajudávamos a mexer com o gado e meu pai plantava feijão, então eu cresci costurando saco de feijão, junto com a minha mãe no barracão. Eu acredito que a agricultura me escolheu, pois eu não tive dúvidas da minha opção profissional. 

BioJournal - Como é ser uma mulher gestora no agronegócio?  

Elizana - Muitos me perguntam sobre isso, mas eu nunca tive nenhuma resistência ou problema por ser mulher nesse setor. Sempre trabalhei em um meio masculino e penso que as pessoas ganham respeito e seu espaço quando se capacitam, quando dominam um assunto. Pela minha formação, por eu ser agrônoma, por estar no campo diretamente, eu nunca tive problemas, então não vejo diferença em ser mulher. Eu gosto muito do que faço, me sinto realizada, então acho que isso não é muito um trabalho, sinto muito prazer em estar na roça todos os dias.  

BioJournal - Como conciliar a vida pessoal e familiar com a profissional?  

Elizana - É um grande desafio, talvez o maior deles, porque é difícil gerir o tempo. Além de eu estar no campo, ajudando nas coisas da fazenda, eu tenho um lar para cuidar com quatro filhos. Eu tenho que pensar no que eles vão comer no almoço, no que vai ter no lanchinho da escolinha, tenho gêmeos de 9 anos, uma menininha de 3 e uma bebê de 9 meses. Mas, acredito que tudo é possível, a gente tem que cada hora saber onde e como estar. Antigamente, eu era mais presente no campo, hoje eu tenho que estar mais focada na educação dos meus filhos porque eu não quero terceirizar, então eu tenho ficado mais no escritório, para acompanhar de perto a criação das crianças. 

BioJournal – Como é a gestão de sua propriedade?  

Elizana - Somos uma empresa enxuta, onde trabalhamos muito próximos dos colaboradores. Somos como uma grande família, muito abertos, e pensamos como um time. Nossos funcionários são treinados e capacitados para que isso reflita no campo, no capricho das operações e na produtividade alcançada.  

BioJournal - Quais os diferenciais do ponto de vista social e ambiental que aplicam em sua produção?  

Elizana – Fazemos cobertura verde, rotação de culturas e manejo integrado de pragas dentre tantas outras boas práticas agrícolas. Isso reflete em um solo e um ecossistema mais rico e produtivo, que requer menos interferências na natureza para produzir melhor e também com maior capacidade de sequestrar o carbono.  

BioJournal - Você se considera uma produtora que está em dia com as novas tecnologias no campo? De que forma?  

Elizana - Eu me considero uma produtora que está em dia, sempre que posso estou em simpósios, congressos e eventos para me atualizar. Temos que estar muito atentos porque as novas tecnologias aparecem com muita rapidez e vêm para agregar ao produtor, então temos que estar atualizados para sermos competitivos no campo.  

BioJournal - Vocês usam controle biológico? Quais os resultados em termos de produtividade e equilíbrio do sistema agrícola?  

Elizana - Sim, usamos vários insumos biológicos e isso reflete em nossa produtividade. Quando eu uso os produtos biológicos, eu penso sempre que eu estou colocando mais soldados em um ambiente perigoso. Quando a gente usa o controle biológico melhora a biota do solo, deixando-a mais rica e competitiva. Buscamos um equilíbrio de um solo vivo, que possa fornecer para a planta tudo aquilo que ela precisa e também que possa disponibilizar o que pode ser absorvido.  

BioJournal - Como você vê o futuro da agricultura brasileira no sentido de estar cada vez mais em harmonia com a natureza e com os consumidores mais exigentes? 

Elizana - Nós temos consumidores cada vez mais exigentes, que querem saber de onde vêm os alimentos e como são produzidos. Em 40 anos, o Brasil passou de importador de alimentos para uma superpotência agrícola, ao mesmo tempo que muitos países melhoraram seu poder aquisitivo, aumentando a demanda por proteínas e as exigências sobre a origem desses alimentos. Nessa realidade, o futuro virá por meio da rastreabilidade, de mostrar que produzimos com sustentabilidade, que o produtor brasileiro é o único no mundo que tem área de preservação dentro da propriedade. Tudo isso agregando valor aos produtos brasileiros. Acredito também que essa harmonia virá dessas práticas sustentáveis, como por exemplo, integração lavoura-pecuária, rotação de culturas, renovação de pastagens e cuidados com o solo. Assim, essas tecnologias vêm para nos mostrar que produzir e preservar é possível. 

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