A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) continua sendo uma das principais ameaças à produtividade da cana-de-açúcar no Brasil. Apesar de conhecida, ainda existem muitas dúvidas (e mitos) sobre sua ocorrência e manejo, que podem comprometer a produtividade e resultados da lavoura.
Ao contrário do que muitos pensam, a praga está presente em diferentes regiões do país e pode ocorrer o ano todo. A incidência costuma aumentar nos meses de clima mais quente e úmido, exigindo atenção redobrada.
Por isso, é importante desmistificar quatro mitos sobre a broca e conhecer meios de proteger a safra.
“A broca só causa prejuízos superficiais”. Falso! Embora pequena, a broca tem potencial de gerar perdas significativas. Ao perfurar os colmos, as larvas interrompem o fluxo de água e nutrientes, enfraquecendo a planta.
Além disso, abrem caminho para fungos como Fusarium e Colletotrichum, que causam a podridão vermelha, agravando ainda mais as perdas. Uma vez comprometido o colmo, não há como recuperar aquela parte da cana.
O prejuízo vai além: o teor de sacarose é reduzido, impactando na qualidade da cana para produção de açúcar e etanol. Estima-se que as perdas cheguem a R$ 8 bilhões por ano, considerando danos no campo e na indústria, segundo o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).
“O controle químico sozinho resolve”. Mito!O uso exclusivo de inseticidas não garante eficiência a longo prazo. Além do custo elevado, há risco de resistência da praga. O manejo mais eficaz é o integrado, combinando agentes biológicos como, por exemplo, o Trichograma galloi, mais monitoramento constante e boas práticas agrícolas. Essa abordagem reduz a pressão da praga e reestabelece o equilíbrio no sistema produtivo.
“Os sintomas são fáceis de identificar”. Falso! Na prática, muitos danos ficam ocultos dentro do colmo e só aparecem quando o prejuízo já está consolidado, muitas vezes na época da colheita. O monitoramento contínuo, uso de armadilhas de feromônio e inspeções periódicas ajudam a identificar a infestação ainda no estágio inicial, possibilitando ações preventivas.
“A broca não é tão comum em algumas regiões”. Mito! A praga está presente em todo país e pode afetar canaviais em diferentes estados. O que muda é a intensidade do ataque, que depende de clima e práticas de manejo adotadas. Em períodos de chuvas e altas temperaturas, comuns no fim do ano, a população tende a crescer mais rápido, aumentando o risco de perdas.
Entender o comportamento da praga e os fatores que favorecem sua ocorrência é crucial para que o produtor possa traçar estratégias mais assertivas e sustentáveis, protegendo a produtividade e a rentabilidade da lavoura.
Com monitoramento eficiente, boas práticas agrícolas e soluções biológicas, o que parecia um problema inevitável, pode ser uma oportunidade para melhorar a gestão no campo e garantir uma safra mais saudável, sustentável e rentável.